Seminário Marco Zero alinha ciência e realidade do SUS para os próximos dois anos no Paraná 07/10/2026 - 19:42
Matéria produzida em 18/08/26
Foi realizado entre 18 e 20 de agosto, na Escola de Saúde do Paraná (ESP), o Seminário Marco Zero da 8ª edição do Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS). O evento marcou o começo formal da execução de projetos científicos que receberão investimentos robustos para apresentar soluções práticas à saúde pública nos próximos 24 meses.
A chamada pública referente à 8ª edição do PPSUS foi lançada pela Fundação Araucária em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SESA-PR), Ministério da Saúde e CNPq. Disponibilizou o recurso de R$ 14 milhões e recebeu a submissão de 223 propostas aptas/elegíveis, das quais 49 foram aprovadas.
Com a presença de pesquisadores, gestores e representantes de esferas estaduais e federais, o Seminário promoveu o alinhamento direto entre a produção científica acadêmica e as demandas reais do Sistema Único de Saúde (SUS).
A consolidação do Programa no Estado passa diretamente pela estratégia de fomento à inovação desenhada pela Fundação Araucária. A coordenadora de Ciência e Academia da Instituição, Fátima Padoan, reforçou o compromisso histórico da Araucária com o PPSUS e detalhou como a iniciativa materializa o conceito de desenvolvimento regional planejado.
"A Fundação Araucária tem orgulho de ser uma das bases sustentadoras do PPSUS desde a sua origem. Nosso papel vai muito além do aporte financeiro; atuamos como articuladores de um ecossistema que transforma ciência em benefício social direto. O PPSUS é o reflexo exato da aplicação prática da Quádrupla Hélice no Paraná", afirmou.
Complementando a visão estratégica da Araucária, o assessor técnico da Técnica da Fundação Araucária, Fabiano Gonçalves Costa, destacou o impacto do monitoramento rigoroso e a continuidade do Programa para a consolidação dessas parcerias regionais.
"O Seminário Marco Zero consolida o papel do PPSUS como uma ferramenta de transformação ativa. Nosso trabalho é garantir que esse ecossistema funcione de forma integrada, transformando as demandas levantadas pela SESA e o potencial técnico das nossas universidades em entregas reais. Ao darmos a largada oficial nessas propostas, estabelecemos um compromisso de dois anos de acompanhamento e suporte para que os resultados científicos se traduzam em inovação, eficiência de gestão e no fortalecimento direto da saúde pública paranaense", pontuou Fabiano.
Investimento histórico
A 8ª edição do PPSUS consolida-se como um marco histórico para a ciência e a gestão pública. Pela primeira vez, o Programa nacional conta com o engajamento de todas as 27 unidades da federação. No cenário local, o protagonismo do Paraná também ganhou destaque.
"É uma edição emblemática para a Fundação Araucária, que integra a iniciativa desde 2004, sendo uma das poucas Fundações presentes em todas as etapas.A grande motivação e o objetivo central do PPSUS é fomentar a produção de conhecimento que gera soluções aplicáveis ao SUS, com foco direto na melhoria do atendimento à população brasileira ", destacou Jorge Alexandre da Silva, analista em Ciência e Tecnologia do CNPq e gerente do PPSUS.
O avanço no volume de recursos financeiros ao longo das últimas duas décadas reflete a priorização da área. Em 2004: O aporte inicial foi de R$ 750 mil da Fundação Araucária e R$ 500 mil federais, totalizando R$ 1,25 milhão. Já em 2026: O montante saltou para R$ 14 milhões, divididos em partes iguais entre a Fundação Araucária e o Governo Federal (recurso do Ministério da Saúde gerido pelo CNPq).
Durante a abertura do Seminário, a representante do Ministério da Saúde e coordenadora-geral de Evidências e Pesquisa em Saúde, Patrícia de Campos Couto, conduziu um painel com o tema: Políticas informadas por evidências e o papel da EVIPNet.
A EVIPNet Brasil (Rede de Políticas Informadas por Evidências) é uma iniciativa estratégica que funciona como uma ponte direta entre a ciência e a gestão pública. O principal objetivo é garantir que as decisões tomadas pelos gestores do SUS não sejam baseadas em intuição, mas sim nas melhores evidências científicas disponíveis.
“O fortalecimento da saúde pública depende de tornar os dados científicos acessíveis aos tomadores de decisão, integrando o direito à informação à gestão em saúde”, informou Patrícia. O evento também contou com uma palestra sobre o impacto da medicina de precisão em bebês do SUS, ministrada pelo pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fábio Passetti.
O protagonismo do SUS na definição de prioridades
Para que a ciência seja verdadeiramente útil, o ponto de partida deve ser a realidade de cada região. Essa visão foi defendida por Solange Rothbarth Bara, representante da Secretaria da Saúde do Paraná (SESA) e diretora da Escola de Saúde Pública do Estado, instituições que compõe ativamente o grupo gestor do PPSUS.
"Compreendemos que o papel da Secretaria no PPSUS é nortear o Programa quanto às necessidades reais do Sistema Único de Saúde no Paraná. Como gestora da rede estadual, cabe à Secretaria identificar demandas que podem ser solucionadas por meio de pesquisas científicas. Acreditamos que o SUS deve ser o protagonista ao elencar suas prioridades", defendeu Solange.
Ressaltou ainda a importância da Oficina de Prioridades como o ambiente ideal para analisar os gargalos do Estado e desenhar os eixos dos editais. Com isso, as universidades conseguem conectar suas linhas de pesquisa a problemas do mundo real.
Projetos selecionados
Entre os projetos apresentados no Seminário está a iniciativa do pesquisador Mateus Aoki, do Instituto Carlos Chagas (Fiocruz PR), que foca no mapeamento genômico de mutações hereditárias associadas ao câncer de mama e colorretal na população local. O estudo analisa alterações em genes de supressão tumoral e reparo de DNA para traçar perfis de predisposição genética.
"A identificação de marcadores genéticos específicos auxilia no direcionamento de condutas preventivas e personalizadas antes do surgimento dos sintomas clínicos, visando ampliar o acesso a essas tecnologias diagnósticas", explicou Aoki.
Na área de vigilância em saúde, o professor Adriano Akira Ferreira Hino, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), expôs o desenvolvimento de indicadores geoespaciais voltados ao mapeamento de condicionantes socioambientais. Utilizando Sistemas de Informação Geográfica (SIG), a pesquisa cruza fatores como infraestrutura urbana, renda e condições de moradia com dados epidemiológicos.
"A transformação de dados georreferenciados em indicadores espaciais subsidia análises de risco territorial, auxiliando no planejamento de intervenções urbanas e na distribuição proporcional de recursos de acordo com as especificidades de cada região", informou o docente.
Próximos passos e monitoramento
O Seminário Marco Zero funciona como a primeira entrega concreta do edital, onde os projetos aprovados saem do papel. Durante o evento, os pesquisadores confrontaram suas teorias com a prática de gestão ao expor as propostas aos representantes do Ministério da Saúde, da SESA, Fundação Araucária e CNPq.
Os projetos aprovados seguirão o seguinte:
* Agosto de 2026: Início formal e apresentações no Seminário Marco Zero.
* Agosto de 2027 (12 meses): Realização de uma avaliação parcial dos resultados obtidos.
* Agosto de 2028 (24 meses): Encerramento do ciclo e entrega das soluções finais.








