Pesquisa estuda como a genética pode influenciar o tratamento da leucemia infantil 13/10/2026 - 17:38
Uma pesquisa desenvolvida no Paraná busca entender como as características genéticas de crianças e adolescentes com Leucemia Linfoide Aguda (LLA) podem influenciar a resposta à quimioterapia. O estudo pretende identificar variações no DNA associadas tanto à eficácia do tratamento quanto ao desenvolvimento de efeitos colaterais graves, contribuindo para tratamentos mais seguros e personalizados.
Coordenado pela pesquisadora Jaqueline Carvalho de Oliveira, do departamento de genética da UFPR, o projeto “Identificação de marcadores genéticos de resposta à quimioterapia em pacientes pediátricos com leucemia linfoide aguda atendidos no Paraná” está entre os 49 selecionados na 8ª edição do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS). No Paraná, a iniciativa é viabilizada pela parceria entre Fundação Araucária, Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR), Ministério da Saúde e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“Entender essas diferenças genéticas é essencial, especialmente no câncer pediátrico, porque nos ajuda a prever como cada paciente pode responder ao tratamento. Assim, conseguimos nos adaptar: por exemplo, preparar melhor quem tem maior chance de apresentar efeitos tóxicos exagerados ou até ajustar a dose do medicamento logo no início, tornando o tratamento mais seguro e eficaz”, afirma a pesquisadora.
A partir de hoje você acompanha por aqui, uma série de reportagens sobre os projetos do PPSUS.
Entenda a Leucemia Linfoide Aguda - A LLA é o tipo de leucemia mais comum entre crianças e adolescentes, correspondendo a cerca de 80% dos casos de leucemias nessa faixa etária. A doença afeta a medula óssea e compromete a produção das células saudáveis do sangue.
A quimioterapia é o principal tratamento para a doença e apresenta bons resultados, mas pode provocar efeitos colaterais importantes. A intensidade dessas reações varia de um paciente para outro e, em alguns casos, pode exigir a interrupção ou a alteração do tratamento.
De acordo com Jaqueline, alguns efeitos colaterais graves podem prejudicar os resultados da quimioterapia. “Problemas no fígado, no sistema nervoso, no coração, e que muitas vezes obrigam a interromper ou reduzir o tratamento. Isso interfere diretamente na qualidade de vida da criança e pode comprometer a eficácia da terapia.”
Genética pode ajudar a personalizar o tratamento - No estudo, os pesquisadores analisam pequenas variações no DNA dos pacientes, chamadas de marcadores genéticos. A proposta é verificar se algumas dessas características estão relacionadas à maneira como cada criança responde aos medicamentos ou ao desenvolvimento de efeitos colaterais mais graves.
Ao todo, 12 pesquisadores integram o projeto, com possibilidade de ampliação da equipe ao longo de seu desenvolvimento. O estudo irá analisar amostras de 200 pacientes que tiveram LLA até os 19 anos e atualmente estão em remissão, ou seja, sem sinais da doença nos exames. A pesquisa também contará com um grupo de controle formado por 200 adultos sem histórico de câncer, permitindo a comparação dos resultados.
A identificação dessas diferenças pode ajudar a compreender por que pacientes submetidos a tratamentos semelhantes apresentam respostas distintas. A expectativa é que esse conhecimento contribua para o avanço da medicina de precisão, que considera as características individuais do paciente na definição das estratégias de tratamento.
“Se conseguirmos prever, por meio da genética, quais pacientes têm maior risco de desenvolver esses efeitos, podemos adaptar o tratamento desde o início — seja ajustando a dose, seja oferecendo cuidados extras — para que a criança tenha mais segurança e melhores chances de cura”, comenta a pesquisadora.
Como determinadas variações genéticas podem ser mais frequentes em algumas populações, realizar esse tipo de análise regionalmente também é importante. No Paraná, ainda há poucos dados sobre a frequência de marcadores que podem ser úteis para o tratamento, e conhecer as particularidades regionais faz toda a diferença.
Por esse motivo, serão analisadas amostras de dois centros: Hospital Erastinho-PR e Hospital do Câncer de Londrina-PR. “Sabemos que no estado do Paraná, cada região tem diferentes histórias de imigração e isso faz com que seja essencial incluir pacientes de diferentes regiões.”, comenta Jaqueline.
Os resultados poderão ampliar o conhecimento sobre o perfil dos pacientes atendidos no Estado e contribuir, no futuro, para tratamentos mais seguros e eficazes no SUS, com potencial para reduzir efeitos adversos e melhorar a qualidade de vida das crianças e adolescentes durante a quimioterapia.
As amostras e dados clínicos estão sendo coletados para a pesquisa desde de 2020, e a finalização do projeto está previsto para final de 2027. Atualmente, os pesquisadores estão na etapa de análise inicial desses dados, para que posteriormente, os resultados genéticos possam ser comparados a informações clínicas particulares de cada paciente.
Fotos: UFPR






