Pesquisa busca desenvolver teste para identificar risco de agravamento dos cânceres de próstata e de bexiga 16/10/2026 - 14:50
Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e profissionais da área da saúde estudam o desenvolvimento de um “teste inteligente”, capaz de identificar o risco de agravamento de casos de câncer de bexiga ou próstata. O projeto tem o objetivo de adaptar o tratamento no sistema público de saúde (SUS) de acordo com o perfil individual do paciente, evitando efeitos colaterais desnecessários e terapias ineficazes.
De acordo com dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), estima-se que o câncer de próstata é responsável por 13% das mortes de homens que desenvolvem tumores malignos, e por ano, cerca de 5 mil brasileiros (sendo 68% homens) morrem devido a complicações do câncer urotelial de bexiga no Brasil. No Paraná, a alta incidência desses tumores representa um problema para a população e um desafio para a rede pública de saúde.
Diante desta realidade, o grupo de pesquisa multidisciplinar coordenado pela pesquisadora Roberta Losi Guembarovski, docente do departamento de Biologia Geral e chefe do Laboratório de Mutagênese e Oncogenética da UEL, pretende desenvolver uma tecnologia que permite identificar previamente a gravidade dessas doenças e adaptar o tratamento com mais eficiência e menor custo.
A proposta, “Prospecção de marcadores preditores de invasão, recorrência e metástase em tumores malignos de bexiga e próstata validados por classificador molecular de alta precisão visando a composição de painéis clínicos”, ainda em estágio inicial de desenvolvimento e foi uma das 49 aprovadas na 8ª edição do Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS).
A pesquisa contribui para a maior eficácia dos tratamentos já realizados para esses tumores, como a radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia. Segundo a pesquisadora, mesmo com essas abordagens, um dos principais problemas desses cânceres é a alta taxa de reaparição do tumor, no caso dos cânceres de bexiga ou metástase, no caso dos cânceres de próstata. Esses fatores somados ao gargalo clínico presente na rede pública de saúde torna o processo doloroso e difícil tanto para o paciente quanto para seus familiares.
O alto custo e a falta de precisão dos procedimentos clínicos também prejudicam o processo de tratamento. “A ausência de marcadores preditivos eficientes faz com que o sistema de saúde trate pacientes de forma genérica. Isso gera custos financeiros altíssimos para o estado (SUS) e resulta em dois cenários ruins: o supertratamento de tumores brandos (gerando toxicidade desnecessária) ou subtratamento de tumores agressivos.”, comenta a pesquisadora.
A pesquisa na prática - Com a participação de alunos de graduação e pós-graduação das áreas de oncogenética, genética molecular, biologia celular, bioinformática e inteligência artificial e médicos urologistas e patologistas, a pesquisa baseia-se na observação inteligente da matriz celular e do processo de adesão entre as células. Todas as análises das amostras utilizadas na pesquisa serão realizadas por patologistas do laboratório Micropar, de Londrina, parceiro da pesquisa.
A partir da observação de estruturas celulares usando metodologias que unem a biologia celular e molecular com a inteligência artificial, é possível identificar o perfil do tumor maligno, e assim, adaptar o tratamento: pacientes com maior risco de metástase e volta do tumor devem receber tratamentos mais intensos, enquanto aqueles com baixo risco conseguem evitar terapias desnecessárias e efeitos colaterais nocivos.
O médico urologista do Hospital do Câncer de Londrina, Fernando Terziotti, também é um dos desenvolvedores da pesquisa. Ele afirma que o estudo permite uma personalização mais eficiente no tratamento de acordo com cada paciente. “Esse trabalho é extremamente importante quando se trata de medicina de precisão. Assim, o médico pode entender melhor a biologia do tumor, conhecer sua evolução e saber qual o melhor tratamento para aquele paciente em específico”, relata o urologista.
Esse tipo de medicina mais precisa poderá, portanto, ser usada, como um indicador, facilitando a conduta do tratamento e evitando altos gastos de recursos públicos. “Pretende-se que nossa pesquisa seja acessível para populações de baixa renda, onde o desenvolvimento de uma ferramenta focada na realidade do SUS garantirá que tecnologias preditivas avançadas, antes restritas à medicina privada de alto custo, fiquem acessíveis a qualquer cidadão”, explica a pesquisadora Roberta Losi Guembarovski.
PPSUS - O Programa de Pesquisa para o SUS visa incentivar o desenvolvimento na saúde pública em todos os estados do Brasil a partir do financiamento de pesquisas. No Paraná, a iniciativa é fomentada pela Fundação Araucária em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR), Ministério da Saúde e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Fotos: Equipe do Projeto










