Paranaense Rita de Cássia dos Anjos é agraciada com o Prêmio Mulheres e Ciência do CNPQ 03/03/2026 - 17:21
A articuladora do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Fenômenos Extremos do Universo, iniciativa da Fundação Araucária, e professora do Departamento de Engenharia e Exatas do Setor Palotina da Universidade Federal do Paraná, Rita de Cássia dos Anjos, conquistou o Prêmio Mulheres e Ciência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na categoria Estímulo em Ciências Exatas e da Terra e Engenharias. A confirmação do resultado final foi divulgada na última semana.
Para a pesquisadora, o prêmio representa o reconhecimento de uma trajetória marcada pela produção científica consistente e pelo compromisso com a formação de pessoas e a democratização do acesso à ciência.
“Fico especialmente honrada porque essa categoria valoriza pesquisadoras em plena fase de consolidação e projeção, o que dialoga diretamente com o momento vivido pelo meu grupo de pesquisa e pelas colaborações internacionais que temos fortalecido. Também enxergo essa premiação como uma mensagem pública relevante: a ciência brasileira avança quando reconhece, apoia e dá visibilidade às mulheres em diferentes estágios da carreira, bem como às instituições comprometidas com a equidade”, disse Rita de Cássia.
Nesta segunda edição, o Prêmio recebeu o total de 684 inscrições e contemplou quatro categorias voltadas ao incentivo de jovens mulheres, ao reconhecimento de pesquisadoras em diferentes estágios da carreira científica e à valorização de instituições comprometidas com a promoção da igualdade de gênero no sistema nacional de ciência e tecnologia.
O Prêmio Mulheres e Ciência (PMC) é uma iniciativa que reconhece e valoriza a contribuição de mulheres para o avanço da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil. O Prêmio é realizado em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Ministério das Mulheres, o British Council Brasil e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe.
Com 19 anos dedicados à pesquisa, Rita de Cássia destaca que as iniciativas de valorização das mulheres na ciência têm avançado de forma significativa ao longo das últimas décadas.
“Iniciativas como esta evidenciam um esforço institucional mais consistente para reconhecer e dar visibilidade à contribuição das mulheres, com categorias que vão desde o incentivo às jovens pesquisadoras até o reconhecimento de trajetórias consolidadas e do mérito institucional. Ao mesmo tempo, o que me motiva é transformar o reconhecimento em permanência: mais oportunidades, mais recursos, mais redes de colaboração e melhores condições para que meninas e mulheres permaneçam na ciência com dignidade e perspectiva de futuro”, disse.
Trajetória científica - Nos últimos anos, a pesquisadora Rita de Cássia dos Anjos consolidou uma agenda de pesquisa em astrofísica de partículas, com foco em raios cósmicos de altíssimas energias, propagação e abordagens multimensageiras através do NAPI Fenômenos Extremos do Universo e do seu grupo de pesquisa.
Uma frente importante tem sido desenvolver modelos que conectem detalhes físicos de sistemas com buracos negros, como mecanismos de extração de energia e dinâmica de jatos, sendo estes previsões observáveis em raios cósmicos e outros mensageiros. Em paralelo, a cientista segue contribuindo para o desenvolvimento de materiais de ensino de física para pessoas com deficiência visual.
A pesquisadora explica que ao investigar a origem e a propagação de raios cósmicos e fenômenos extremos associados a buracos negros, o grupo de cientistas desenvolve e aplica métodos avançados de modelagem, simulação e análise de dados, além de fortalecer competências em computação científica e instrumentação. “Esse tipo de conhecimento e de formação transborda para áreas que afetam o cotidiano, desde tecnologias de detecção e processamento de sinais até a capacitação de profissionais em ciência de dados, programação e pensamento crítico”, observa.
Complementa, ainda, que ao produzir materiais de ensino de Física acessíveis para pessoas com deficiência visual, seu objetivo é contribuir para reduzir barreiras históricas no acesso à ciência, ampliando oportunidades de aprendizagem, autonomia e inclusão. “Um benefício direto à sociedade porque promove uma educação científica mais equitativa, inspira novos estudantes e fortalece uma cultura de ciência na sociedade, com efeitos de longo prazo na formação, na empregabilidade e na participação cidadã. Alguns materiais já foram produzidos e este semestre serão testados”, destaca Rita de Cássia.
Fomento - O fomento à pesquisa é visto por Rita de Cássia como fundamental para o avanço da ciência. “Sem fomento não existe pesquisa. O pesquisador tem excelentes ideias, mas sem um laboratório e alunos para auxiliá-lo ele não consegue desenvolvê-las. A Fundação Araucária, aqui no Paraná, vem lutando para manter investimentos em bolsas e nos diversos projetos em ciência básica e aplicada.”
Prêmios - Os prêmios já conquistados são motivo de muito orgulho para a pesquisadora. Entre os mais importantes cita o Prêmio Para Mulheres na Ciência 2020 - promovido pela L’Oreal Brasil, com a Academia Brasileira de Ciências e a UNESCO Brasil; Homenagem Pesquisadora Destaque, pela Universidade Federal do Paraná (2023); Prêmio Anselmo Salles Paschoa, da Sociedade Brasileira de Física (2023); Prêmio Carolina Nemes, da Sociedade Brasileira de Física (2024); STEM Ambassador Recognition Award (2024–2025), como Minority Representative, pela atuação em favor do equilíbrio de gênero por meio de iniciativas regulares de conscientização e treinamento, pela União Astronômica Internacional (IAU) e o 2º Prêmio Mulheres e Ciência (CNPq - 2026).
Confira o resultado do 2º Prêmio Mulheres e Ciência:
Categoria Incentivo
1° lugar - Lara Dourado Borges - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES)
2° lugar - Raíssa da Luz Rangel - Instituto Federal da Bahia (IFBA)
3° lugar - Laíza de Almeida Bride - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES)
Categoria Estímulo
Ciências da Vida: Leticia Couto Garcia - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Ciências Exatas e da Terra, e Engenharias: Rita de Cássia dos Anjos - Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes: Gabriela Spanghero Lotta - Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP)
Categoria Trajetória
Ciências da Vida: Deborah Carvalho Malta - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Ciências Exatas e da Terra, e Engenharias: Teresa Bernarda Ludermir - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes: Liliam Cristina Barros Cohen - Universidade Federal do Pará (UFPA)
Categoria Mérito Institucional
1º Lugar: Universidade Federal do Pará (UFPA)
2º Lugar: Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
3º Lugar: Universidade Federal do Piauí (UFPI)
A cerimônia de premiação será realizada na sede do CNPq, em Brasília, na próxima quinta-feira (5).



