Mulheres que transformam ciência e tecnologia em negócios de impacto 07/10/2026 - 20:04

Matéria produzida em 25/08/26

Da agricultura de precisão à biotecnologia e ao uso da tecnologia para incentivar a separação correta de resíduos. Três empreendedoras paranaenses que transformaram conhecimento e inovação em soluções para diferentes áreas conquistaram os primeiros lugares da categoria Ciência e Tecnologia da etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026.

Josiane Gonçalves Daga, de Toledo, ficou em primeiro lugar; Maria Luiza Abreu, de Londrina, conquistou a segunda colocação; e Bruna Jochem, de Pato Branco, o terceiro lugar. Além do reconhecimento ao empreendedorismo feminino, as histórias das três revelam trajetórias marcadas pela inovação e pela busca de soluções que chegaram ao mercado a partir do conhecimento e da tecnologia. Na caminhada de Maria Luiza e Bruna, o apoio da Fundação Araucária esteve presente em diferentes momentos e foi considerado por elas determinante para o desenvolvimento profissional e dos negócios.

A premiação, realizada no dia 24 de agosto, em Curitiba, reuniu 25 finalistas estaduais em cinco categorias. Ao todo, o prêmio recebeu 597 inscrições no Paraná em 2026.

Tecnologia que nasceu de uma necessidade no campo - Primeira colocada na categoria Ciência e Tecnologia, Josiane Gonçalves Daga é cofundadora e administradora da Daga Agrinavi, empresa de agricultura de precisão instalada em Toledo. A tecnologia desenvolvida pela empresa surgiu de uma necessidade vivenciada por ela e pelo marido, Alisson Daga, também produtor rural, que buscavam maneiras de reduzir erros nas aplicações realizadas na lavoura.

A partir dessa experiência, o casal avançou no desenvolvimento de uma solução tecnológica e na estruturação do negócio. A empresa passou por iniciativas de apoio e aceleração e foi aprovada em programas como Paraná Anjo Inovador 2025 da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial e Agro 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, além de conquistar o primeiro lugar da Região Sul no Prêmio Mulheres Inovadoras Finep 2025.

A conquista do prêmio tem um significado especial para Josiane. Há três anos ela participava da premiação em busca de uma colocação e enxergava no processo uma oportunidade para fortalecer o negócio.

“É uma honra poder representar essa categoria. O prêmio, além do reconhecimento pelo nosso trabalho, nos faz repensar a trajetória e ter a certeza de que estamos caminhando na direção certa. Também dá um gás renovado para continuar essa caminhada do empreendedorismo, que sabemos que não é fácil”, afirma.

Para ela, a premiação também provocou uma reflexão pessoal sobre sua própria trajetória como mulher e empreendedora. Em meio às demandas do cotidiano, conta, nem sempre é possível perceber o caminho já percorrido.

“Às vezes fazemos as coisas no piloto automático e esquecemos de dar valor ao que construímos como mulher, empreendedora e pessoa. Esse prêmio me fez refletir e reconhecer que sou merecedora de estar aqui e receber esse reconhecimento”, destaca.

Com o primeiro lugar estadual, Josiane avança para a etapa regional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na qual representará o Paraná ao lado das representantes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. A vencedora regional segue para a etapa nacional.

Da bolsa de inclusão social à empresa de biotecnologia - A segunda colocada, Maria Luiza Abreu, tem uma história que começou muito antes do empreendedorismo. Bióloga, pesquisadora e hoje CEO e cofundadora da Bio3 Pesquisa e Desenvolvimento, de Londrina, ela foi a primeira pessoa da família a ingressar em uma universidade pública e, até o momento, a única a alcançar o doutorado.

Filha de uma família que não tinha condições financeiras de custear sua formação, Maria Luiza encontrou ainda na graduação um apoio que considera fundamental para mudar sua trajetória. Sua primeira bolsa foi de inclusão social da Fundação Araucária.

“Minha primeira bolsa foi uma bolsa de inclusão social da Fundação Araucária e foi essencial para a minha permanência dentro da UEL. Eu não teria conseguido fazer a graduação porque meus pais não tinham condições de me ajudar. Foi com essa bolsa que consegui pagar o restaurante universitário e o transporte”, relembra.

Foi na Universidade Estadual de Londrina (UEL) que ela também iniciou o caminho que aproximaria ciência, inovação e empreendedorismo. Da iniciação científica ao doutorado, pesquisou a linhagem Bacillus velezensis LABIM40. O trabalho posteriormente deu origem ao FrontierControl, comercializado pela Simbiose Agro e reconhecido como o primeiro produto tecnológico licenciado pela UEL.

Em 2023, Maria Luiza e outros pesquisadores fundaram a Bio3, deeptech que nasceu no Laboratório de Biotecnologia Microbiana (LABIM) da UEL e desenvolve soluções sustentáveis para a agricultura, com foco especialmente em bioinsumos microbiológicos de alta performance.

A trajetória que começou com uma bolsa para conseguir permanecer na universidade chega, anos depois, ao reconhecimento como empreendedora na área de Ciência e Tecnologia.

“Foi uma conquista muito grande e uma confirmação de que estou no caminho certo. O sentimento é de felicidade, orgulho e, principalmente, gratidão”, afirma Maria Luiza.

Tecnologia para transformar a relação das cidades com os resíduos - A terceira colocação ficou com Bruna Jochem, fundadora e CTO da Cash Local Tecnologia e Serviços, startup de Pato Branco, no Sudoeste do Paraná. Filha de agricultores e nascida em uma cidade do interior, Bruna também foi a primeira pessoa da família a cursar uma universidade.

Ela escolheu a área de tecnologia em um período em que, como recorda, seguir carreira em Tecnologia da Informação ainda não era um caminho comum para mulheres no interior do Paraná.

Há mais de oito anos, fundou a Cash Local. Ao longo desse período, a empresa desenvolveu diferentes produtos, de soluções para campanhas promocionais a plataformas de engajamento cidadão.

Entre eles está o Separa, plataforma que utiliza Internet das Coisas (IoT) e identificação por radiofrequência (RFID) para estimular a separação correta de resíduos. Pelo sistema, o cidadão que realiza a separação recebe créditos digitais que podem ser utilizados no comércio local. Ao mesmo tempo, a tecnologia gera dados para a gestão pública e busca contribuir para aumentar a renda das cooperativas e reduzir custos dos municípios.

Para Bruna, chegar ao terceiro lugar representa mais do que o reconhecimento de um negócio. “Esse prêmio representa oito anos de muito trabalho, de noites acordadas, de não que virou sim, de piloto que virou produto, de produto que virou impacto real”, afirma.

Na história da Cash Local, Bruna destaca especialmente o apoio recebido por meio do Programa de Apoio ao Sistema Regional de Inovação do Sudoeste do Estado do Paraná, da Fundação Araucária.

Naquele momento, segundo ela, a startup ainda estava em uma fase inicial e tinha uma ideia promissora, mas precisava de recursos para transformá-la em uma tecnologia efetivamente desenvolvida.

“A subvenção da Fundação Araucária foi o que nos permitiu dar os primeiros passos concretos no desenvolvimento da tecnologia. Foi o primeiro voto de confiança institucional que recebemos”, destaca.

Desde então, a empresa acumulou outros reconhecimentos e participações em iniciativas de inovação. Entre eles estão o primeiro lugar no UPStarts 2026, da Associação Comercial de São Paulo, a classificação no Prêmio Mulheres Inovadoras da Finep na Região Sul, a seleção para o programa Empreendedoras Tech e a aprovação no Hub GovTech Paraná.

Para Bruna, chegar ao pódio do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios também permite olhar para o início dessa caminhada. “Tenho muito orgulho de poder dizer hoje que chegamos ao pódio e que parte dessa história começou com o apoio da Fundação Araucária e também de todo o ecossistema de inovação regional”, ressalta.

Diferentes caminhos, um ponto de encontro - As histórias de Josiane, Maria Luiza e Bruna começaram em contextos distintos e deram origem a negócios em áreas igualmente diferentes. Em comum, mostram como ciência, formação, tecnologia, inovação e empreendedorismo podem se conectar para levar soluções da universidade, do campo ou de uma ideia inicial até a sociedade e o mercado.

Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário