Ciência Participativa e Governança Local: Os caminhos traçados no III Fórum Internacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 17/03/2026 - 21:12
O III Fórum Internacional dos ODS consolidou-se como um marco na discussão sobre o desenvolvimento sustentável, focando na transição da teoria acadêmica para a prática territorial. Os painéis do evento revelaram uma convergência clara: a ciência só é transformadora quando é colaborativa, ética e profundamente conectada à realidade das comunidades.
Promovido pela Araucária e a Superintendência Geral de Desenvolvimento Econômico e Social (SGDES), o evento reuniu entre os dias 16 e 17, especialistas, gestores públicos e lideranças comunitárias - no Campus da Indústria (FIEP) - para debater como a ciência e a inovação podem ser transformadas em soluções práticas para os territórios. O evento integra a agenda da Coalizão Local2030, plataforma do sistema das Nações Unidas dedicada aos ODS.
“Os debates do Fórum demonstraram que a produção científica não deve ficar isolada nos laboratórios, mas sim servir como um motor de transformação social, validando saberes locais e atendendo às necessidades específicas de cada região. Com isso, reforço a importância da união entre governo, academia, setor privado e sociedade civil para impulsionar a inovação sustentável e garantir que a Agenda 2030 avance de forma integrada no Paraná”, destacou o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig.
Os resultados desta terceira edição do Fórum reiteram que o desenvolvimento sustentável se concentra, em grande medida, nos territórios, onde o conhecimento se traduz em políticas públicas, a inovação se transforma em prática e os compromissos globais se concretizam. É nesse nível que o planejamento integrado, a governança inclusiva e os investimentos coordenados podem resultar em melhorias significativas na vida das pessoas, incluindo comunidades mais seguras e economias locais mais robustas.
“A ciência é fundamental e crucial quando elaboramos políticas baseadas em evidências, pois são a chave para que os formuladores dessas iniciativas possam definir estratégias eficazes, que impactam e são mais resilientes para as sociedades. As políticas que estamos tentando alcançar, envolvem governos, universidades, comunidades e instituições, ou seja, é uma missão comunitária”, enfatizou o vice - chefe do secretariado da Coalizão Local2030 das Nações Unidas, Iñigo Arbiol.
O coordenador de Projetos Internacionais na Superintendência Geral de Desenvolvimento Econômico e Social (SGDES), Filipe Braga Farhat, também destacou as valiosas contribuições apresentadas durante o evento. “A participação de todos os atores enriqueceu o diálogo e demonstrou a força dessa crescente comunidade global comprometida com a territorialização dos ODS”, ressaltou Filipe.
O encerramento do Fórum contou com uma plenária que englobou os relatos dos assuntos abordados durante o evento e com a palestra da vice-diretora de Engajamento Comunitário da Universidade da África do Sul, Genevieve James, destacando a importância de integrar o conhecimento acadêmico aos saberes tradicionais e às necessidades das comunidades locais. Confira os destaques dos painéis que nortearam os debates:
Ciência e Transformação Territorial - A ciência foi apontada como o motor para a produção de "inteligências territoriais aplicáveis". Os debates focaram na arquitetura interseccional dos ecossistemas de conhecimento, na governança de dados e na resiliência socioambiental, propondo novos desenhos institucionais para reduzir desigualdades.
Transparência e Ciência Localizada - O foco foi a ética na coleta de dados e a mudança de paradigmas para validar o conhecimento comunitário ao lado da tradição acadêmica. Defendeu-se que a ciência deve ser localizada, integrada aos interesses e entendimentos das populações do campo para gerar consciência e cidadania.
Governança e Cooperação - A discussão girou em torno de uma governança territorial baseada na cooperação multinível e clareza institucional. Ressaltou-se a necessidade de fortalecer organizações transversais, como as de democracia e gênero, para coordenar as instituições de pensamento.
Diversidade de Conhecimento e Resiliência - Os palestrantes enfatizaram que não existe um único sistema válido de produção de saber. Povos indígenas e comunidades tradicionais foram destacados como guardiões de conhecimentos estratégicos seculares. Foi destacado também que a ética exige que a pesquisa seja feita com a comunidade, e não apenas sobre ela, garantindo que o conhecimento retorne ao território.
Juventude como Agente do Presente - O painel concluiu que os jovens não são o futuro, mas a "atualidade". Eles devem estar diretamente envolvidos na governança e na co-criação de soluções, atuando como agentes de transformação em seus próprios territórios.
Sistemas Integrados e Financiamento - Demonstrou-se a necessidade de um sistema que conecte políticas públicas, inovação e financiamento. O foco deve estar no fortalecimento das capacidades institucionais e na educação, utilizando indicadores como elementos fundamentais para o esforço coletivo.


















