Governo do Paraná apoia projeto de pesquisa em genética com foco na prevenção de doenças
26/10/2022 - 11:43

Identificar marcadores de predisposição genética e metabólica dos paranaenses a partir de técnicas de inteligência artificial e ciência de dados. Esse é o objetivo do Projeto Genomas Paraná, uma iniciativa inédita de pesquisa científica e tecnológica no Brasil, que pretende descrever o perfil genético e epidemiológico da população. As amostras biológicas serão coletadas entre cidadãos de Guarapuava e Foz do Iguaçu, nas regiões Centro-Sul e Oeste do Paraná.

O material biológico será armazenado em biobanco para análise por sequenciamento genético. O biobanco é um tipo de repositório para conservação de amostras biológicas utilizadas em pesquisas científicas. A equipe envolve mais de 400 pesquisadores da Rede Paranaense de Pesquisa Genômica, que reúne instituições de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica, públicas e privadas, do Paraná e de outros estados.

O estudo pretende sinalizar um conjunto de fatores de riscos para doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC), diabetes e comorbidades associadas. A ideia é embasar estratégias de Medicina de Precisão, área interdisciplinar que alia ao perfil genético dos pacientes os aspectos convencionais de diagnóstico e tratamento, como sintomas, história pessoal e familiar e exames complementares.

Na prática, esse campo da medicina compreende cuidados antecipados para evitar doenças. Entre as medidas preventivas de saúde, por exemplo, é possível incluir o uso de medicamentos, a aplicação de vacinas e a identificação de fatores de riscos que podem tornar as pessoas mais propensas a determinadas doenças.

INVESTIMENTO – O projeto recebeu aporte de R$ 3,12 milhões do Governo do Estado, sendo metade, R$ 1,56 milhão, da Fundação Araucária e o restante do Fundo Paraná, dotação gerida pela Superintendência-Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), para o fomento científico e tecnológico paranaense. Os recursos estão compartilhados entre as universidades estaduais do Centro-Oeste (Unicentro) e de Ponta Grossa (UEPG), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Instituto para Pesquisa do Câncer (Ipec), situado em Guarapuava.

O desembolso atende demandas de investimento, como aquisição de ultrafreezers para armazenamento e conservação de amostras biológicas; e cobertura de despesas de custeio, a exemplo de reagentes para extração de material genético. Entre outros itens, também são custeadas bolsas de doutorado e pós-doutorado e bolsas de apoio técnico à pesquisa.

Segundo o superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona, o sequenciamento do genoma humano possibilita avanços significativos no campo científico. “Considerando a diversidade brasileira, é importante traçar o perfil genético da população, a fim de viabilizar ações de Medicina Preventiva, a chamada Medicina 5.0, e de antecipar a elaboração e implementação de políticas públicas na área da Saúde”, afirma.

Um dos principais benefícios de pesquisas em genômica está relacionado à possibilidade de prever o surgimento de doenças, de forma que os dados obtidos pelos cientistas podem ser utilizados para diagnósticos precoces e tratamentos de patologias de origem genética e até mesmo doenças crônicas.

QUALIDADE DE VIDA – Para o coordenador do Curso de Medicina da Unicentro, professor David Livingstone Alves Figueiredo, responsável pelo Genomas Paraná, os dados e algoritmos são fundamentais nesse contexto da Medicina de Precisão. “Os estudos em genômica em larga escala, associados à inteligência artificial, permitem tratamentos médicos de acordo com as reais necessidades dos pacientes. No futuro, além da prevenção de doenças, os dados genômicos devem auxiliar na definição de terapêuticas especificas para os paranaenses em diferentes especialidades médicas”, pontua.

Doutor em Ciências Médicas, o professor destaca, ainda, o pioneirismo paranaense com impacto na eficiência da gestão pública estadual. “A Medicina de Precisão está relacionada à qualidade de vida da população, sendo o caminho para identificar marcadores genéticos de risco e previsão de risco e para tratar os pacientes de maneira personalizada, de acordo com suas individualidades. Esse projeto coloca o Estado do Paraná na vanguarda e, sem dúvidas, contribui para o direcionamento e melhor aproveitamento de recursos públicos na saúde”, reflete.

O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, completa que a Biotecnologia é considerada uma das áreas estratégicas no Paraná. “O Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia tem mobilizado capital intelectual e social importante, reunindo centenas de pesquisadores, que facilitam a produção de conhecimento, soluções e inovações de Biotecnologia, área prioritária para o desenvolvimento estadual, aplicada à saúde humana e animal”, afirma.

Atualmente, o Paraná figura como o quinto estado do Brasil com mais empresas na atividade biotecnológica, com 80% dessas organizações dedicadas ao setor alimentício. “Esse segmento tem potencial de contribuição para a geração de trabalho, emprego e renda, e para aumentar a qualidade de vida de cidadãos paranaenses e brasileiros, com grandes oportunidades para alavancar indústrias farmacêuticas e de analises clinicas, além da agricultura e outras atividades produtivas”, sinaliza o gestor.

•    ECOSSISTEMA – Nesse cenário favorável, o Paraná se tornou, no ano passado, sede de um novo ecossistema de inovação voltado à pesquisa genética, com aplicação nas áreas da saúde, agropecuária e meio ambiente. Denominada Vale do Genoma, a iniciativa foi instalada em Guarapuava e integra setor público, iniciativa privada, sociedade civil e setor produtivo acadêmico, incluindo pesquisadores de diversas instituições, inclusive de outros estados.

•    O intuito é identificar e articular oportunidades de negócios inovadores no segmento de genômica, a partir da prospecção de parceiros empresariais, para estabelecer um polo de startups e contribuir para a competitividade paranaense no setor da genética; e fortalecer e ampliar as pesquisas nesse campo do conhecimento.

 

Fonte: Seti