Avanços e desafios dos mais de 30 Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação são apresentados à sociedade paranaense
15/12/2022 - 16:38

Desde segunda-feira (12) até esta sexta-feira (16) pesquisadores, representantes do Governo do Estado, do setor produtivo e da sociedade civil organizada, apresentam o andamento dos trabalhos realizados nos mais de trinta Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) em execução ou em construção no Paraná. 

Uma parceria entre a Fundação Araucária e a Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), os NAPIs têm atraído um número cada vez maior de integrantes e gerando novas demandas de criação nas mais diversas temáticas ligadas à Agricultura e Agronegócio, Biotecnologia e Saúde, Energias Sustentáveis, Cidades Inteligentes e Sociedade, Educação e Economia. 

Entre as apresentações do tema Biotecnologia e Saúde esteve o articulador do NAPI Saúde Vacina Covid-19, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emanuel Maltempi de Souza. O grupo trabalha no desenvolvimento de uma vacina contra o Covid-19 baseada em nanopartículas e proteína do vírus.  “Essa proposta é inédita. Vamos testar o material em animais, em camundongos. Também determinar neutralizante dos anticorpos e imunidade celular e modelos animais. Nós também temos a ambição de fazer uma preparação nasal, inicialmente com estas nanopartículas ou outras. E nosso objetivo mais ambicioso é que pretendemos fazer um ensaio de proteção vacinal em modelo animal e para isso a gente precisa da instalação de biotério com nível de segurança 3”, explicou o pesquisador.

Em fase inicial de desenvolvimento, o NAPI Neurociências tem metas importantes. “Queremos identificar potenciais parceiros de pesquisa, mas também no setor produtivo e no setor de saúde e demais serviços. Busca formar pesquisadores, estudantes e profissionais de saúde, de educação e de recursos humanos, com um olhar aprofundado e atualizado para as neurociências. Compreender o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso envolve compreender mecanismos de função e de disfunção, prevenir doenças degenerativas e trazer bem estar e riqueza para o Paraná”, destacou a professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e articuladora do NAPI Neurociência Débora Santana. 

O tema Cidades Inteligentes reuniu articuladores e pesquisadores dos NAPIs regionais e outras temáticas vinculadas. Ao falar do NAPI Oeste- Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), o professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Douglas André Roesler, ressaltou que a região tem muitos ativos em diversas áreas que vão contribuir para gerar mais qualidade de vida. “O POD é resultado da organização de sessenta instituições, empresas e o terceiro setor, além de lideranças da região buscando discutir e pensar estrategicamente a região. É uma região forte na produção de alimentos mas ainda precisamos organizar estes ativos com convergência, com um objetivo comum para o desenvolvimento e transformação do Oeste do Paraná. Possibilitando desenvolvimento e qualidade de vida. Esta semana é um espaço importante para mostrarmos a importância da governança e da profissionalização desta governança. Temos universidades e pesquisadores identificando os principais problemas nas linhas prioritárias do POD e apresentando inovação e difusão de tecnologia nestas linhas”, comentou.

Em fase de construção, o Napi Litoral, que busca desenvolver projetos e pesquisas em temáticas que envolvam Economia do Mar, Tecnologias Associadas ao Pescado, Turismo Sustentável e Logística Integrada. Entre os principais resultados esperados pretende-se obter uma lista das espécies com potencial para cultivo e pacotes tecnológicos de cultivo de moluscos. Também estão previstas a elaboração de passeios e vivências no litoral do Paraná, a produção de receitas com novos pratos gastronômicos valorizando a cultura local. Ainda obter biogestores instalados e melhoria tecnológica para diminuição de resíduos da pesca. 

O NAPI Norte pretende gerar desenvolvimento econômico e social, com sustentabilidade para refletindo em riqueza para o Paraná, como explica a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Cristiane Cordeiro e assessora de relações institucionais da Fundação Araucária. “O NAPI Norte é como se fosse um guarda-chuva, então várias ações do Agro. Estamos mostrando aqui o que fazemos, nossas competências e as nossas fragilidades para que, a partir disso, possamos encontrar novos parceiros. De outras regiões que têm competências e áreas de pesquisa importantes que possam agregar e se juntar a nós. Essa semana propicia essa troca de conhecimento para multiplicar. Entre as principais conquistas está o Polo de Inovação do Agro que avançou e é o Polo de Inovação Agropecuária e Alimentos da Região de Londrina. Ele representa um selo para nós, que mostra que temos competência para isso e tem trazido mais players importantes para estarem junto conosco”, destacou a pesquisadora. 

O professor José Abramo Marquês da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e articulador do NAPI Sudoeste – Consolidação do NAPI em Sustentabilidade e Qualidade de Vida, ressaltou que o arranjo tem um perfil mais amplo de linhas de pesquisa. “Nós temos uma iniciativa de fazer um trabalho com atores de diferentes instituições e cidades do Sudoeste com um perfil mais amplo de linhas de pesquisa e geração de produtos. Temos a área de energias renováveis, exploração de biomoléculas tanto para uso farmacêutico quanto para uso agrícola, temos uma linha muito forte de agroecologia, temos um subprojeto com a qualidade de água. Estamos nos organizando para propor a criação de centrais de análise regional.”

O NAPI Trinacional está entre os mais antigos, tendo entre os objetivos principais fazer a articulação entre os atores para a resoluções de problemas que afetam este território. Promover pesquisas e inovações que subsidiem o Estado na tomada de decisão para o desenvolvimento sustentável da região Oeste do Paraná. O novo arranjo já colhe importantes frutos como a criação da Cátedra Araucária para o Desenvolvimento Territorial do Eixo de Capricórnio e a partir, desta iniciativa, estão sendo lançados dois livros resultado das pesquisas e reflexões desenvolvidas no NAPI. São duas versões do livro “Região Trinacional do Iguaçu” uma mais técnica e outra em linguagem mais acessível para o público em geral. 

Vinculado ao tema Cidades Inteligentes, o NAPI dos Parques Tecnológicos tem entre os principais desafios aproximar ainda mais a academia das empresas para gerar mais inovação, como explica o articulador Reginaldo Ferreira Santos. “O NAPI dos Parques Tecnológicos surge de uma ação do CNPQ em trabalhar com a universidade e com as empresas. Como os parques tecnológicos estão distribuídos de forma muito equitativa em todo o estado, existe a possibilidade de as universidades atenderem praticamente todos os parques tecnológicos. Colocando não só os professores mas também os alunos da pós-graduação em demandas de empresas, principalmente, as ligadas aos Parques Tecnológicos.”

“Muitas vezes as empresas que estão nos parques têm a visão de empreendedorismo mas com a necessidade de se desenvolverem mais tecnologicamente e as universidades podem contribuir com o conhecimento dos pesquisadores para suprir estas demandas na área de inovação. Aproximando ainda mais a academia do setor produtivo. Entre as áreas com muita demanda está a de empresas que precisam trabalhar melhor a questão dos resíduos. O que era um rejeito, hoje pode ser transformado em um produto de alto valor agregado. Um exemplo é um produto usado na linha de fármaco produzido a partir do sangue suíno, que custa em torno de R$ 6 mil o grama. Isso é mais que ouro”, ressaltou o facilitador do NAPI dos Parques Tecnológicos. 

Todas as apresentações estão disponíveis no canal da Fundação Araucária no YouTube. O último dia de evento nesta sexta-feira (16) vai abordar os NAPIs do tema Sociedade, Educação e Economia a partir das 9h. Clique Aqui para ter acesso à programação completa dos NAPIs que serão apresentados.