Araucária apoia a realização do WoodRise Tour Curitiba 2026 no Paraná 07/10/2026 - 20:20

Matéria produzida em 15/09/26
 

Realizado entre os dias 15 e 17 de setembro, o WoodRise Tour Curitiba 2026 ocupou o Campus da Indústria, no Sistema FIEP, integrando a agenda técnica da Semana Internacional da Madeira. Pela primeira vez sediado em solo brasileiro, o fórum global também contou com a organização da Fundação Araucária. O objetivo central do evento foi o de unir o setor empresarial, a academia e o setor construtivo para impulsionar a tecnologia da madeira engenheirada e desenhar cidades mais sustentáveis.

A relevância geopolítica de trazer esse debate para o Estado foi o grande destaque das plenárias institucionais. Na abertura do evento, o diretor de Administração e Finanças da Fundação Araucária, Gerson Koch enfatizou que o Woodrise é uma iniciativa de alcance global que conecta o Paraná a uma rede internacional de conhecimento composta por países que são referências máximas no setor, como França, Canadá e Japão.

“O Estado reúne todas as condições para assumir esse protagonismo global por dispor de uma robusta cadeia florestal, universidades de excelência e um ecossistema de ciência, tecnologia e inovação cada vez mais integrado. O apoio a esse movimento cumpre a missão de transformar o conhecimento científico em um motor de desenvolvimento econômico, social e ecológico, colocando Curitiba e o Paraná como a grande ponte de inovação para a América Latina”, enfatizou Koch.

Esse posicionamento estratégico foi endossado pela presidência do Sistema Fiep, que apontou o evento como um passo fundamental para capacitar profissionais locais e aproximar os setores que precisam atuar de forma colaborativa para que o mercado ganhe escala.

“Com este evento conseguimos reforçar ainda mais uma das missões que buscamos cumprir diariamente na FIEP: criar conexões, antecipar tendências e auxiliar nossa indústria a identificar possibilidades que fortaleçam sua competitividade e seu desenvolvimento”, destacou o presidente interino do Sistema FIEP, Virgílio Moreira Filho.

O especialista Seiichi Fukao, Professor Emérito da Tokyo Metropolitan University, enfatizou na abertura do evento, que a engenharia de estruturas em madeira evoluiu de uma tradição histórica para uma necessidade tecnológica contemporânea insubstituível diante dos desafios ecológicos do planeta. “Estabelecer esse canal de cooperação com o Brasil acelera a maturidade das normas e ver o engajamento local em propor novos métodos construtivos prova que o evento é o catalisador ideal para iniciar um ciclo promissor de inovação arquitetônica global”, ressaltou Fukao.

Palestras

Durante os dias de imersão, os debates técnicos revelaram o quanto a engenharia e a arquitetura brasileira já evoluíram. O público pôde acompanhar estudos revolucionários voltados para o aproveitamento de novas espécies de madeiras certificadas, superando antigas barreiras de secagem e colagem industrial para criar painéis de alta resistência mecânica.

Na perspectiva científica nacional, o professor da Unicentro e representante do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Wood Tech, Everton Hillig apontou caminhos revolucionários para a matéria-prima ao explicar que, embora as barreiras envolvam a maior densidade biológica das madeiras de folhosas, a complexidade de secagem e a necessidade de adequação de maquinários industriais de colagem, as oportunidades técnicas e comerciais são revolucionárias.

“O uso misto ou exclusivo de folhosas certificadas abre espaço para painéis estruturais com propriedades de flexão e compressão superiores, diversificando o suprimento de matéria-prima florestal e expandindo radicalmente as possibilidades de resistência mecânica para edifícios multipavimentos no mercado brasileiro e internacional”, disse o professor. Em sua palestra, o NAPI Wood Tech, criado pela Fundação Araucária, também foi apresentado.

Em paralelo, a indústria apresentou soluções de automação de ponta, incluindo processos robóticos de controle de qualidade em linha e tratamentos inovadores de superfície com plasma para ampliar a durabilidade biológica do material. Na ponta da execução, engenheiros e arquitetos demonstraram como a modelagem digital e a manufatura de precisão conseguem reduzir o tempo de montagem nos canteiros de obras em até 50%, viabilizando de forma definitiva a verticalização e os edifícios híbridos em altura no Brasil.

Dentre essas palestras, destacou-se a abordagem prática do engenheiro Luiz Couto, diretor da Tronco Engenharia, que conectou essa evolução fabril à realidade dos canteiros. O especialista assegurou que, quando o projeto é concebido respeitando as premissas da manufatura digital e da logística reversa, o ganho de eficiência é drástico. Conforme pontuou Couto, “o segredo não está na força do operário no local da obra, mas na exatidão da engenharia aplicada nas fases preliminares do projeto, o que é o gatilho necessário para destravar as construções em altura de forma sustentável nas grandes metrópoles brasileiras”.

Para fechar o evento, o último dia promoveu visitas técnicas exclusivas, levando os participantes para ver a teoria aplicada na prática. Os roteiros incluíram imersões científicas e ambientais no Planetário do Parque da Ciência – Fundepar e na reserva natural do Buraco do Padre. O público também realizou vistorias operacionais em complexos florestais inovadores, plantas industriais de alta tecnologia em madeira engenheirada e novos desenvolvimentos urbanísticos sustentáveis da região metropolitana. Durante as tardes dos dias do evento, também foi realizada a Feira Lignum Latin America, no Expotrade Pinhais.