Ação local, impacto global: Fórum dos ODS reforça papel dos territórios no desenvolvimento sustentável 17/03/2026 - 15:15

Ciência, inovação e comunidades como base para o desenvolvimento sustentável este foi o tema que direcionou os painéis no segundo dia do III Fórum Internacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nesta terça-feira (17), no Campus da Indústria – FIEP no Jardim Botânico.

O evento, organizado pela Fundação Araucária e pela Superintendência Geral de Desenvolvimento Econômico e Social, foi aberto com o painel “Rumo à Baku: O Caminho Local” que destacou a importância da articulação entre diferentes setores para enfrentar questões ambientais e urbanas.

“Quando falamos do ODS 13, estamos tratando de um desafio global que exige respostas concretas também no nível local. A construção civil, por exemplo, é hoje responsável por mais de um terço das emissões de carbono no mundo, além de ser uma das maiores consumidoras de energia. Isso nos impõe a necessidade urgente de repensar modelos: desde os sistemas construtivos até o planejamento urbano, passando pela forma como concebemos habitação, infraestrutura e desenvolvimento das cidades”, destaca o engenheiro e consultor da Federação das Indústrias do Paraná, Patrick Reydams que moderou o debate.

Na sequência, as sessões paralelas aprofundaram temas centrais para o desenvolvimento sustentável. Em destaque a educação e o protagonismo da juventude como motores de transformação nos territórios, reforçando o papel da formação de lideranças e da cooperação internacional para impulsionar mudanças sociais.

“Temos que olhar um pouco como os territórios podem ir além da participação dos jovens para cocriar com os jovens. Eles são indispensáveis e não devem ser algo que vem depois, eles devem construir e cocriar esses caminhos para que a gente atinja o desenvolvimento sustentável. Esses pesquisadores jovens podem trazer as perspectivas que são alternativas, mas também complementares e também inovadoras, que nos ajudem a construir melhores políticas públicas”, comenta Francine Melchioretto, de gestão de programas e parcerias da Coalizão Local2030 da Organização das Nações Unidas.  

Já o painel “Inovação territorial e financiamento para o desenvolvimento sustentável” teve como foco os mecanismos capazes de viabilizar projetos sustentáveis e fortalecer políticas públicas baseadas em evidências.

“O desenvolvimento sustentável exige uma visão coletiva, em que cada ator assume seu papel com foco no território. Não se trata de concentrar investimentos em um único setor, mas de diversificar e integrar ações que dialoguem entre si e gerem impacto real. Quando colocamos o território no centro, conseguimos alinhar planejamento de longo prazo, recursos públicos e privados e apoio internacional, considerando as vulnerabilidades locais. Assim, os investimentos feitos hoje geram resultados duradouros e sustentáveis no futuro”, ressaltou o diretor nacional de Planejamento do Ministério de Finanças de Cabo Verde, Gilson Pina.

Ao longo dos dois dias, o evento evidenciou o papel dos atores locais na construção de soluções globais, destacando a ciência e a inovação como pilares fundamentais para enfrentar os desafios contemporâneos e avançar na implementação dos ODS.

Uma plenária consolidou os principais encaminhamentos do evento na chamada “Declaração do Paraná”. O documento reúne diretrizes e compromissos voltados ao fortalecimento da ciência como ferramenta estratégica para a transformação territorial, reforçando a integração entre conhecimento científico, gestão pública e desenvolvimento sustentável.