Parcerias internacionais e cooperações regionais são ressaltadas no 68º Fórum do CONFAP 11/07/2025 - 02:23
Como ampliar a contribuição de pesquisadores brasileiros para o avanço da ciência global? Essa foi a pergunta central do workshop “Fortalecendo Parcerias Equitativas de Longo Prazo para Ampliar Cooperações Internacionais”, realizado no dia 1º de julho, em São Paulo, no auditório da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com financiamento da British Academy e apoio do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), o evento reuniu pesquisadores, representantes de agências de fomento nacionais e internacionais e representantes dos Escritórios de Desenvolvimento de Pesquisa e Inovação. O objetivo foi discutir estratégias para fortalecer a presença brasileira em colaborações científicas globais e promover parcerias mais justas e sustentáveis.
O workshop é fruto da aprovação de um edital da British Academy, conquistado pela diretora de Pesquisa e Inovação da FGV, Goret Paulo, em parceria com a diretora de Cooperação Internacional do CONFAP e coordenadora do Projeto Internacional de CT&I na Fundação Araucária, Maria Zaira Turchi.
Durante a abertura, Maria Zaira Turchi explicou o conceito de parcerias equitativas: “Esse conceito refere-se a ênfase no benefício mútuo, na governança compartilhada, no respeito às diferenças locais de cada parceiro e na construção de relações baseadas na confiança. Ou seja, uma parceria equitativa ocorre quando há participação e valorização mútua em todas as etapas do processo.”
Ela destacou ainda que esse tema será transversal ao longo de todo o 68º Fórum CONFAP:
“Como promover colaborações mais justas? Como garantir inclusão em diferentes regiões do Brasil? Acreditamos que, com a força das FAPs, das agências federais e de instituições como a FGV, podemos tornar o Brasil mais competitivo em chamadas internacionais.”
Para Goret Paulo, o fortalecimento dessas parcerias é essencial para o avanço da ciência brasileira:“A ciência hoje se desenvolve em rede, de forma global, e por meio de parcerias equitativas.”
O presidente do CONFAP, Márcio Araújo Pereira, também reforçou a importância da internacionalização: “A participação do Brasil em redes colaborativas ainda é limitada. Podemos avançar muito mais com base na competência dos nossos pesquisadores e na nossa capacidade técnica.”
Ele anunciou ainda uma nova parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que será formalizada durante o Fórum CONFAP, com foco na ampliação da cooperação internacional.
Fundação Araucária
A Fundação Araucária aderiu durante o Fórum, outras três chamadas públicas com a União Europeia: * CONFAP – ERC;* Water4All;* Biodiversa e * Blue Economy.
O Workshop
O Workshop contou com os painéis: O que financiadores e parceiros internacionais buscam? Oportunidades, Forças e Desafios para Instituições Brasileiras na Colaboração Global; e Mitigando Desafios e Potencializando Forças: O Papel dos Escritórios de Apoio à Pesquisa (RDOs) nas Parcerias Equitativas.
As próximas edições da série de workshops FGV–British Academy acontecerão em Curitiba (PR) e Salvador (BA). Embora os eventos sejam restritos a convidados, os principais resultados dos debates serão divulgados posteriormente nos canais oficiais da FGV.
Cooperações Regionais
O fortalecimento das agendas estaduais e regionais de pesquisa é essencial para o desenvolvimento científico e tecnológico do país, com participação da comunidade acadêmica e das empresas locais e recursos federais combinados aos dos Estados. Com essas palavras, o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago,abriu o 68º Fórum do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), em cerimônia realizada no último dia (03).
“Faço um forte apelo à revisão do nosso modelo nacional de desenvolvimento científico para que, ao mesmo tempo, garanta perenidade e traga a agenda da ciência, tecnologia e inovação para os panoramas nacional, regional, estadual e municipal, contribuindo para reduzir a nossa imensa heterogeneidade”, afirmou.
Segundo Zago, não basta insistir para que o governo federal fortaleça o apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico sem que haja o fortalecimento das mesmas ações nos Estados. “Se a linha de ação federal é importante para dar uma certa unidade nacional, a centralização em Brasília não tem perspectiva de promover soluções permanentes em um país imenso e diversificado como o Brasil. Está na hora de fortalecer os sistemas regionais. Ou seja, os Estados e grupos de Estados têm de atuar em conjunto para resolver os problemas”, disse, ressaltando que ainda assim deve haver amplo espaço para fortalecer as relações entre as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) e o sistema federal de ciência e tecnologia.
Para Marcio de Araújo Pereira, presidente do Confap, as FAPs têm alcance e conhecimento das realidades locais. “Nós podemos chegar aos municípios, a lugares que o governo federal pode chegar junto conosco. Essa articulação é que faz o nosso sistema crescer regionalmente também. Um olhar regional, para as pessoas que estão vivendo nessas áreas”, disse.
Denise Pires de Carvalho, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), lembrou que um fator importante do sistema nacional de ciência e tecnologia são os programas de pós-graduação.
“A pós-graduação tem 60 anos no Brasil e muito a ser feito. O número de cursos aumentou ao longo desse tempo, embora tenha tido uma desaceleração nos últimos anos. Mas houve aumento paralelo entre produção científica nacional e aumento do número de mestres e doutores”, explanou.
Segundo a dirigente, é preciso trabalhar para que haja aumento no número de programas e de mestres e doutores em todas as regiões do país, sem que haja diminuição no Sul e Sudeste, que concentram a maior parte dos programas.
“Não há um número de doutores adequado em nenhum dos Estados quando comparado com a média dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico], que têm a maior renda per capita do mundo. Enquanto a média desses países é de 22 doutores para cada 100 mil habitantes, a nossa é de 11 por 100 mil. Não há país que não tenha se desenvolvido sem doutores”, afirmou.
Um importante mecanismo para a produção científica nos Estados são os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), programa lançado durante a presidência de Marco Antonio Zago no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre 2007 e 2010.
Atual presidente do CNPq, Ricardo Galvão, ressaltou o importante papel que tiveram as FAPs em aderir ao programa, que teve os resultados da última chamada anunciada no final de junho, assim como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Foram cinco novas FAPs, se somando a outras que já participavam, como a FAPESP, Faperj, Fapemig e Fapes. Além disso, o Ministério da Saúde e a Capes aportaram recursos. Com isso, 143 projetos foram aprovados, ampliando em cerca de 20% a quantidade de propostas contempladas nos resultados preliminares. O acréscimo de recursos foi de R$ 135,6 milhões em relação ao investimento inicialmente previsto, totalizando R$ 1,63 bilhão, a maior chamada de INCTs já realizada no país.
“Olhando as demandas, é de ficar com lágrimas nos olhos de não ter mais dinheiro para atender a todos, porque os projetos foram de altíssima qualidade. Ficamos muito agradecidos a todas as FAPs que aderiram e puderam aumentar o número de contemplados”, afirmou Galvão.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, lembrou que a comunidade científica deve estar sempre atenta, pois os riscos para o financiamento são contínuos e é preciso sensibilizar os gestores públicos sobre a importância da autonomia e da independência dos organismos de pesquisa para o próprio desenvolvimento dos Estados.
Compuseram ainda a mesa Luiz Antonio Elias, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Julio César Castelo Branco Reis Moreira, presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); e Juana Nunes, coordenadora-geral de popularização da ciência e tecnologia, representando a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Inovação e prêmio
Carlos Américo Pacheco, presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da FAPESP, apresentou o futuro de inovação focado em tecnologias digitais e inteligência artificial para aplicações em governo. O plano é instalá-lo no novo centro administrativo do Estado, a ser construído no bairro Campos Elíseos, reunindo 24 secretarias estaduais.
“O novo centro administrativo cria uma oportunidade para a FAPESP ao unir as secretarias, que serão os ‘clientes’ dessa iniciativa”, avaliou Pacheco. A Fundação prevê inicialmente um investimento de R$ 650 milhões para apoio a pesquisas em inteligência artificial em temas que serão abordados no hub.
Marcio de Castro Silva Filho, diretor científico da FAPESP, apresentou novos editais e programas como o de Biotérios e Biossegurança, Futuros Cientistas, Sistemas Alimentares Saudáveis, Acervos e Documentação Histórica e Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs).
Fonte: Rede de Pesquisa FGV (Por: José Victor Sales/ Ascom FGV) e André Julião | Agência FAPESP