Conheça um pouco da trajetória e trabalho em prol da Ucrânia realizado por Rostyslav Tronenko e Fabiana Tronenko
27/04/2022 - 04:13

O Ex-Embaixador da Ucrânia no Brasil, Rostyslav Tronenko, e a Ex- Embaixatriz Fabiana Tronenko se conheceram em Viena, na Áustria, e depois disso ficaram um bom tempo sem terem contato. Foram se reencontrar em um jantar na Embaixada da Polônia em Brasília. Casaram-se, e nesta época Rostyslav, era diretor ucraniano de um dos Departamentos do Ministério das Relações Exteriores. Em 2005, o casal foi nomeado como Embaixadores da Ucrânia em Portugal, funções nas quais exerceram até 2010.

Já em 2012 assumiram os cargos de Embaixadores da Ucrânia no Brasil,completando quase 10 anos de trabalho em solo brasileiro em 2021, ano que saíram da Embaixada.Desde que saíram à frente da Embaixada, procuraram, como sempre fizeram, elevar o nome da Ucrânia ao lugar mais alto.Lutam e procuram apoiar e ajudar no que for preciso para que a Ucrânia tenha cada vez mais espaço nas mídias digitais, pois é um País que sempre lutou e luta incansavelmente contra a informação propagada de foram deturpada.

Em tempos difíceis que a Ucrânia está passando a partir da guerra que vem enfrentando, o trabalho, divulgação e iniciativas de Rostyslav e Fabiana Tronenko tornam-se fundamentais para mobilização e apoio desta nação extremamente querida pelo Brasil, especialmente pelo Paraná, local onde reúne cerca de 80% da totalidade dos imigrantes do Brasil. Confira a entrevista realizada com Fabiana Tronenko, na qual ela conta um pouco de sua trajetória e a de Rostyslav:

FA: Como você se sente sendo paranaense e vendo toda essa mobilização que o Estado vem realizando para acolher o povo ucraniano? Conte um pouco sobre a relação do Paraná com a Ucrânia, já que é o Estado do Brasil que mais possui imigrantes desse país?

Fabiana: É muito gratificante para mim ver as medidas que o meu Estado está tomando como as pessoas vêm se mobilizando para receber os refugiados ucranianos, fazendo com que eles se sintam abraçados por um povo longínquo na distância, mas muito próximo no afeto e também bastante próximos na etnia ucraniana, uma vez que o Paraná conta com a maior comunidade descendentes de ucranianos da América Latina. São mais de 130 anos, desde a chegada dos primeiros imigrantes ucranianos que chegaram ao Brasil, ainda em meados de 1898 e se firmaram aqui, contribuindo muito para o desbravamento do Estado e colaborando também no enriquecimento cultural, nas técnicas de agricultura, na economia, na gastronomia, arquitetura e também na questão religiosa.

O projeto desenvolvido pelo Governo do Estado, em acolher mulheres cientistas, por exemplo, é um programa enriquecedor na área tecnológica, pois eu tenho certeza que as cientistas ucranianas têm muito a contribuir na questão do conhecimento. Elas irão colaborar diretamente no desenvolvimento de novas pesquisas que ficarão marcadas pelo gesto de acolhimento e solidariedade do nosso Estado e que serão muito profícuas no futuro.

A sensibilidade em oferecer essas bolsas vem em um momento no qual o povo ucraniano mais precisa e essa parceria está sendo muito apreciada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, e também pelo Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia. É um gesto de amizade e de acolhimento do povo ucraniano e também um refúgio seguro para essas famílias que ficarão bem instaladas e com uma chance de reconstruírem suas vidas nesse primeiro momento, pois o programa prevê o retorno dessas famílias caso seja do seu desejo.

FA: Você pode elencar as principais iniciativas inseridas na Ucrânia e que tenha relação direta com o Paraná nos últimos tempos, e outras tantas iniciativas que tenham relação com o Brasil como um todo?

Fabiana: Uma das iniciativas que mais me encanta é um convite do Governo do Paraná à Embaixada da Ucrânia, para o evento cultural bastante conhecido em Brasília, que foi a participação no 24º Sarau Chatô, onde os países convidados tem a oportunidade de apresentar sua arte, sua cultura e gastronomia. A parceria contou com cerca de aproximadamente 15 paranaenses, que foram à Brasília para representar o Paraná e a Ucrânia para mais de 1500 pessoas.Foi memorável e nos deixou muito orgulhosos.

Outro momento marcante, foi participar na capital paranaense, à convite da Primeira-dama Luciana Saito Massa, da inauguração do Especial de Natal, organizado por ela e pelo Governo do Paraná.O espetáculo foi tão lindo e especial que permitiu aos participantes fazerem um regresso à infância com imagens tocantes da simbologia do natal, do nascimento de Cristo e nos permitiu resgatar momentos especiais guardados em nossa memória. Mas o momento que mais me emocionou, foi quando inesperadamente eu ouvi a canção “Carol of Bells”, que é uma canção de origem ucraniana que ganhou o mundo.

Reuniões e parcerias, que foram efetuadas durante a nossa permanência como embaixadores à frente da Embaixada da Ucrânia no Brasil, e o carinho e respeito no qual sempre fomos recebidos no Palácio Iguaçu, inclusive quando o Governador Carlos Massa Ratinho Junior tinha recém assumido a chefia do Governo do Estado.

Fomos os primeiros embaixadores a visitar o governador em janeiro de 2019, logo depois da posse dele. E combinamos fomentar as relações da Ucrânia com o Paraná nas várias áreas de interesse  em comum e bilateralmente vantajosas.No ano de 2019 a delegação representativa da Prefeitura e da região de Kharkiv levou ao Governo do Paraná, as propostas de cooperação na área da saúde, investimentos, educação e cultura.

Tudo isso sem mencionar as iniciativas que realizamos com prefeituras no interior do estado, tais como Prudentópolis, Maringá, Londrina, Ponta Grossa, Roncador, Foz do Iguaçu, Antônio Olinto, e muitas outras com as quais realizamos projetos na área da energia sustentável, cultural e de apoio da numerosa comunidade ucraniana do Brasil.Também sempre mantivemos a cooperação na área social e humanitária com várias igrejas cristãs tanto ucranianas como brasileiras. Visitamos o máximo de cidades no Paraná e conhecemos de perto descendentes da comunidade Ucraniana do Estado, agradecendo pessoalmente pelo cultivo da cultura há mais de 130 anos de história.

Por duas vezes, comemoramos a data nacional ucraniana em Curitiba e o governador abriu as portas do Palácio para que pudéssemos receber pessoas da nossa comunidade que nunca tiveram a oportunidade de participar desse evento tão significativo a convite dos embaixadores.Levamos ajuda humanitária à cidade de União de Vitória depois das enchentes, no ano de 2014 e tivemos a grata surpresa de ver como a solidariedade e a empatia é o forte do povo paranaense.Na área acadêmica podemos destacar os contatos com instituições de ensino e pesquisa científica tanto da capital como das cidades do interior.

FA: Qual a importância do Programa de Acolhida Paranaense a Cientistas Ucranianas neste momento?

Fabiana: É difícil traduzir a importância dessa iniciativa e tempo oportuno para sua realização. Trata-se da possibilidade de preservar o potencial científico, tecnológico e educacional da Ucrânia.Segundo o Ministro da ciência e educação da Ucrânia, durante o  mês de março da guerra foram atacadas mais de 500 instituições educacionais, 73 delas foram completamente destruídas. Por trás desses números estão destinos, carreiras e vidas das milhões de mulheres, que foram obrigadas a ficarem refugiadas no seu próprio país ou no exterior.

Antes da guerra, a Ucrânia ocupava o terceiro lugar no mundo, depois dos EUA e da Índia, pelo número dos profissionais de Tecnologia da Informação que trabalhavam à distância para grandes empresas tecnológicas internacionais. Anualmente a Ucrânia emitia mais de 60 mil vistos para estudantes estrangeiros do mundo inteiro.As universidades e institutos politécnicos da Kyiv, Kharkiv, Dnipro, Lviv, Odessa e de outras cidades ucranianas foram mundialmente famosas pelo nível da educação e da pesquisa.

Eu Fabiana, pessoalmente estudei no Instituto Estatal das Línguas Estrangeiras e no Instituto das Relações Internacionais da Universidade Nacional Tarás Shevchenko da cidade de Kyiv, e posso testemunhar os altos padrões do ensino superior ucraniano.Acredito que a iniciativa do Governo do Estado e da Fundação Araucária atrairá as pesquisadoras ucranianas e ajudará aprofundar os laços científicos entre os dois países.

FA: Para finalizar, um recado a todos paranaenses falando sobre a importância da acolhida do povo ucraniano pelo Paraná (pergunta respondida pelo Ex-Embaixador da Ucrânia no Brasil, Rostyslav Tronenko)?

Rostyslav: Essa ação rápida, digna e muito oportuna, me lembrou das palavras do Prêmio Nobel da Paz Sr. Elie Wisel, que dizia: “Às vezes precisamos interferir quando as vidas humanas estão em perigo, quando a dignidade humana é pisoteada, as fronteiras e sensibilidades nacionais ficam irrelevantes”.

Fico intensamente grato ao Governador Carlos Massa Ratinho Júnior pela sua ação humanitária nobre e exemplar. Tenho a certeza que ela trará os benefícios mútuos para a continuação da nossa parceria nas áreas do desenvolvimento de pesquisa científico-tecnológica e do ensino.

 

Fotos: Arquivo Pessoal.

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