Não é possível comparar eficácia entre vacinas, afirma pesquisadora da UEPG
26/06/2021 - 01:20

Nas últimas 24 horas, 101.698 pessoas receberam pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19 no Paraná, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa/PR). Divididas entre os imunizantes Coronavac, Oxford/Astrazeneca e Pfizer, as doses têm sido alvo de comparações e preferências em razão das reações pós-aplicação.

“Vacinas não são uma questão de escolha pessoal e não fazem parte de um cardápio, onde é possível escolher qual tomar”, explica a professora da UEPG Elisangela Gueiber Montes, especialista em Microbiologia e Imunologia. “A melhor vacina é aquela que estará disponível para ser aplicada quando chegar o momento de cada um recebê-la”, adiciona.

A pesquisadora ressalta que a vacinação é um ato coletivo. “Precisamos do maior número de pessoas imunizadas, para conter a circulação do vírus e romper o ciclo pandêmico”, pontua Montes. Nesta entrevista, a professora e porta-voz da Universidade Estadual de Ponta Grossa na campanha #TodosPelaVacina, que reúne instituições de ensino superior do Paraná, Fundação Araucária e Superintendência de Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, explica as diferenças entre as vacinas.

É possível comparar a eficácia entre diferentes vacinas contra Covid-19?

Não é possível comparar a eficácia entre diferentes vacinas, pois cada estudo de desenvolvimento e testagem dos imunizantes foi realizado de uma forma diferente, com critérios distintos para testagem e com grupos de pessoas com características de exposição diferentes. Desta forma, não é correto dizer que um é melhor ou pior que outra e tentar fazer escolhas baseadas em conclusões e informações infundadas.

O que significa eficácia? 

No caso das vacinas, pode-se relacionar eficácia à capacidade de redução do número de infectados dentro de uma população de 100 pessoas. Por exemplo, em uma vacina como 80% de eficácia, pode-se afirmar que, a cada 100 pessoas que teriam Covid, se forem vacinadas, apenas 20 delas irão infectar-se com o vírus, ou seja, prevenir-se de qualquer nível de desenvolvimento da doença, incluindo casos muito leves e assintomáticos. Mas o ponto mais importante do estudo de uma vacina está na prevenção do desenvolvimento da doença sintomática moderada ou grave e do número de óbitos. Nesse ponto todas as vacinas em uso no país comprovaram reduzir essas formas e o número de óbitos de forma muito semelhante.

Como podemos saber se as vacinas são de fato confiáveis e seguras?

Todas as vacinas, aprovadas pelos órgãos regulatórios passam previamente por uma sequência de etapas rigorosas de testes, começando em laboratório, passando por testes em animais e somente depois o produto é colocado à prova em ensaios clínicos com centenas e milhares de pessoas. Após essa sequência de avaliações, ocorrem ainda apreciações por parte dos órgãos regulatórios de cada país, com a Anvisa no Brasil, que só efetuam a liberação para aplicação na sua população, após verificarem que realmente há comprovação de segurança e eficácia.  

Por que quem já foi imunizado com as duas doses não pode deixar de usar máscara e de tomar os demais cuidados preventivos para Covid-19? 

Apesar das vacinas protegerem o indivíduo das formas moderada e grave da doença, elas não impedem que ele se contamine com o vírus e de que o transmita para outras pessoas. Desta forma, como ainda temos uma parcela pequena da população brasileira vacinada com duas doses (cerca de 11%), há uma quantidade muito grande de vírus circulando e com possibilidade de contaminar as pessoas e nelas ainda sofrer mutações, levando ao surgimento de novas variantes. Para que, futuramente, as pessoas possam deixar de usar máscaras, é necessário que a grande maioria da população esteja completamente imunizada, ou seja, entre 70% e 80% das pessoas.

Montes é doutora em Ciências Farmacêuticas, mestre em Ciências Biológicas, especialista em Microbiologia e Imunologia e graduada em Farmácia-bioquímica pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). É professora na instituição desde 2010, onde leciona, entre outras, as disciplinas de Imunologia, Imunologia Clínica e Microbiologia Clínica.

 

*Esta entrevista faz parte de uma campanha de conscientização sobre a vacinação contra a Covid-19, idealizada pela Fundação Araucária e que conta com o apoio da  Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, da Universidade Estadual de Maringá, da Universidade Estadual de Londrina, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, da Universidade Estadual do Norte do Paraná, da Universidade Estadual do Paraná, da Universidade Federal do Paraná, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, da Universidade Federal da Fronteira Sul, da Universidade da Integração Latino-Americana, do Instituto Federal do Paraná, da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Paraná, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, da Universidade TUIUTI do Paraná e da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

 

Texto e foto: William Clarindo | Entrevista: Luciane Navarro.

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