Cientistas da UFPR estão entre os cem mil mais citados do mundo
19/11/2020 - 10:50

Um estudo da Universidade de Stanford (EUA) publicado no PLOS Biology Journal elencou cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) entre os cem mil mais citados no mundo em dois diferentes rankings: um deles leva em conta o impacto do pesquisador ao longo da carreira e o outro, no ano de 2019. A professora Alice Grimm, do Departamento de Física, foi a cientista da UFPR mais citada no último ano, alcançando a 26.338ª posição mundial, enquanto o professor Felix Sharipov, do Departamento de Física, é o pesquisador da instituição com mais citações ao longo de toda a carreira, na 40.772ª colocação mundial.

O estudo analisou citações do banco de dados Scopus, avaliando o impacto de citações dos cientistas ao longo da carreira e durante o ano de 2019 a partir do índice de citação composto, que considera seis métricas: citações totais; índice h de Hirsch; índice hm de Schreiber ajustado pela coautoria; número de citações de artigos como autor único; número de citações de artigos como autor único ou primeiro autor; e número de citações de artigos como autor único, primeiro ou último autor.

A lista que relaciona os cientistas mais citados em 2019 inclui pesquisadores de todas as áreas e utiliza citações de publicações editadas nesse ano. Entre os cem mil, foram contemplados, ainda, os professores

⋅ Carlos Ricardo Soccol, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, que aparece em 32.011º lugar;

⋅ Felix Sharipov, do Departamento de Física, na 49.479ª colocação;

⋅ Luiz Pereira Ramos, do Departamento de Química, na 51.050ª posição; e

⋅ Fernando Wypych, também do Departamento de Química, fechando a lista da UFPR em 68.857º lugar.

Além de Sharipov, entre os cem mil cientistas com maior impacto em citações ao longo da carreira, outros quatro são da UFPR:

⋅ Carlos Ricardo Soccol aparece na 64.053ª colocação mundial;

⋅ Luiz Pereira Ramos, na 71.316ª posição;

⋅ Fernando Wypych, em 84.551º lugar; e

⋅ Leni Campos Akcelrud, do Departamento de Química, na 97.807ª posição.

Os cientistas

Para Alice, fazer pesquisa útil para a sociedade sempre foi sua preocupação e a razão de seu ingresso na ciência. “Em 1983, enchentes catastróficas na região sul do Brasil, principalmente no Vale do Itajaí em Santa Catarina, deixaram milhares de pessoas desabrigadas, inclusive minha família. Muitas pessoas morreram porque havia pouco conhecimento sobre o fenômeno El Niño, que provocou essa tragédia”, conta. Foi aí que ela decidiu realizar doutorado em Meteorologia para ajudar a prevenir desastres climáticos.

A física acredita que as mulheres terão um grande papel no avanço das ciências exatas se quebrarem barreiras culturais e descobrirem que suas pesquisas nessa área farão a diferença. “As dificuldades existem e eu tive que passar por todas elas, mas as alegrias as ultrapassam e estimulam a persistência. As mulheres têm percepções que podem complementar muito bem as dos homens e contribuir muito em termos de avanço das pesquisas na área. A diversidade de pontos de vista é muito desejável”.

Ser citado é uma forma de reconhecimento ao trabalho, segundo Sharipov. “Para um pesquisador, não basta só publicar muitos artigos, é importante que eles sejam lidos e citados por outros pesquisadores. Por meio das citações, um pesquisador se torna reconhecido pela comunidade científica e, junto com ele, a instituição em que trabalha pode ser conhecida pelo mundo afora”.

Carreira

Alice Marlene Grimm é graduada em Física e em Arquitetura e Urbanismo, mestre em Ciências Geodésicas e doutora em Meteorologia. A pesquisadora foi uma das primeiras a estudar os efeitos dos fenômenos El Niño e La Niña sobre o clima do Brasil e da América do Sul. Tem realizado estudos, muitos deles pioneiros, sobre vários tipos e escalas de oscilações climáticas, suas combinações e seus impactos sobre a América do Sul, especialmente na produção de eventos extremos de precipitação que produzem desastres naturais como cheias e secas intensas. No momento, estuda uma oscilação intrassazonal muito importante para o Brasil, o impacto do El Niño na América do Sul e os efeitos das mudanças climáticas sobre as monções em todo mundo.

Felix Sharipov é graduado em Aerofísica e Pesquisa Espacial, mestre também em Aerofísica e Pesquisa Espacial e doutor em Física e Tecnologia. Os estudos de Sharipov  sobre deslizamento de velocidade e salto de temperatura numa interface gás-sólido foram utilizados nas interpretações de dados experimentais de medição da constante de Boltzmann e contribuíram para a nova definição da unidade de temperatura Kelvin. Ele também participa do projeto de medida de massa de neutrino chamado Katrin, calculando o escoamento do gás trítio em arranjo experimental, e da implementação de um método de modelagem de escoamentos de gases, desenvolvido no Departamento de Física da UFPR, que será implementado no OpenFoam, um software livre usado na área de dinâmica dos fluidos. Uma série de seus trabalhos sobre a simetria de fenômenos irreversíveis foi publicada a longo de toda sua carreira, assunto que atraiu atenção na área da termodinâmica depois que o pesquisador Onsager ganhou o prêmio Nobel em 1961 por provar a simetria para alguns fenômenos em particular. As pesquisas do professor da UFPR ampliaram as aplicações da simetria a uma grande classe de fenômenos. Até o momento, foram publicados 134 artigos de sua autoria em revistas indexadas, sendo 27 deles publicados nos últimos seis anos. Segundo o Web of Science, o professor tem o total de 3.952 citações de seus trabalhos e de acordo com o Google Scholar, são 6.953 citações. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq nível 1B.

Carlos Ricardo Soccol é graduado em Engenharia Química, mestre em Tecnologia de Alimentos e doutor em Engenharia Biológica/Engenharia Enzimática, Microbiologia e Bioconversão. Ele foi o mentor do primeiro curso de graduação em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia no Brasil e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, nível mestrado e doutorado. Soccol, em parceria com professores e ex-orientados, já depositou mais de 80 patentes de produtos e processos de titularidade da UFPR. O pesquisador também é Doutor Honoris Causa da Université Blaise Pascal-França, Prof. HDR da Univesité Aix- Marseille-França e foi eleito membro Titular da Academia Brasileira de Ciências na área das Engenharias em 2013. Sua produção científica já foi reconhecida com diversos prêmios e títulos. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq nível 1A

Luiz Pereira Ramos é graduado em Química, mestre e doutor em Ciências – Bioquímica. O pesquisador tem experiência na área de aproveitamento tecnológico de recursos renováveis, com ênfase em química da madeira, biocatálise e na produção de biocombustíveis líquidos de primeira, segunda e terceira gerações. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq desde 1993, atualmente no nível 1B. Possui 4.917 citações, de acordo com a base de dados Scopus. É consultor em várias áreas relacionadas ao desenvolvimento de estratégias de conversão de biomassa em biocombustíveis, insumos químicos e biomateriais. Ramos já depositou 17 patentes, publicou mais de 140 artigos científicos e 22 capítulos de livros, além de trabalhos completos, resumos estendidos e comunicações em congressos nacionais e internacionais.

Fernando Wypych é graduado em Química, mestre e doutor em Química Analítica Inorgânica. O cientista atua na área de compostos lamelares naturais e sintéticos, modificação química de superfícies e aplicação desses compostos em nanocompósitos poliméricos, como catalisadores, fertilizantes de liberação lenta e controlada e emulsões. É revisor de 127 revistas científicas, possui 232 artigos científicos publicados, 19 capítulos de, 41 patentes e 8.127 citações científicas, de acordo com o All database ISI. Também é bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq nível 1B.

Leni Campos Akcelrud é graduada em Química Industrial e em Engenharia Química, mestre e doutora em Química. Tem experiência na área de química de polímeros, com ênfase em síntese, caracterização e correlações entre estrutura, morfologia e propriedades. Atua principalmente nos temas polímeros condutores e suas aplicações, polímeros de engenharia e biopolímeros. É líder do Laboratório de Polímeros Paulo Scarpa na UFPR.

Melhores na subdisciplina

O estudo também inclui os cientistas que não estão entre os cem mil melhores de acordo com o índice composto, mas estão entre os principais cientistas de sua subdisciplina. O recurso permite a inclusão de amostras mais abrangentes dos cientistas mais citados para campos que têm baixas densidades de citação e, portanto, seriam menos prováveis ​​de serem encontrados entre os cem mil principais quando todos os campos científicos são examinados juntos. Segundo o ranking, as comparações são mais significativas quando feitas na mesma subdisciplina.

Nesta classificação, foram elencados entre os mais citados em 2019 os seguintes pesquisadores da UFPR:

⋅ Flávio de Queiroz Telles Filho, do Departamento de Saúde Coletiva;

⋅ Luiz Eduardo Soares de Oliveira, do Departamento de Informática;

⋅ Viviana Cocco Mariani, do Departamento de Engenharia Elétrica;

⋅ Helio Afonso Ghizoni Teive, professor de Neurologia no curso de Medicina;

⋅ Vanete Thomaz Soccol, do Programa de Pós-Graduação em Processos Biotecnológicos;

⋅ Aldo Jose Gorgatti Zarbin; do Departamento de Química; e

⋅ David Alexander Mitchell, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular.

Ainda com relação aos melhores nas subdisciplinas, foram mencionados entre os cientistas com maior impacto em citações ao longo da carreira:

⋅ Philip Albert James Gorin, do Departamento de Bioquímica;

⋅ Miguel Abbate, do Departamento de Física;

⋅ Aldo Jose Gorgatti Zarbin;

⋅ David Alexander Mitchell; e

⋅ Vanete Thomaz Soccol..

Fonte: UFPR

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